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Ouvir um político a discursar faz-nos saltar da cadeira. Não estou a falar das ideias por vezes abomináveis que nos poderão pregar grandes sustos, mas sim do caminhar emocional e em crescendo do seu tom de voz que termina num retumbante apogeu e climáxico "aahhhhh" (leia-se mensagem política).
Eu acho que eles assim não conseguem o que pretendem. Ou seja, querem que nós acompanhemos as ideias que vão sendo cada vez melhores, cada vez mais extasiantes, cada vez mais enebrianTES ATÉ AO CLIMÁX QUE É A GRANDE MENSAGEM QUE QUEREM PASSAR... mas entretanto nós já nos perdemos naquele enebriar de discurso e e estamos a observar tudo nele, menos as ideias: onde ele tem as mãos? Será que ele agora fecha os olhos? Será que faz uma careta? Será que puxa de um cigarro ali mesmo, no púlpito? Ahhhhhhhh...
Não resisto a dizer que quem melhor faz estes discursos é o António José Seguro. E o Valentim Loureiro, lembram-se? Que cavalgada das valquírias os seus discursos. Danados!!!!
Diversidade!
Eu gosto de tudo muito arrumadinho: casa arrumada, vida organizada, objetivos mais ou menos traçados. Dá-me uma sensação de controlo sobre as coisas (mentira, claro). Ou seja, entre estes dois conceitos pareceria que iria optar pela harmonização, onde tudo é monocromático, não há surpresas e sabe-se o que se vai ver alémmmm da linha do infinito.
Errado.
A diversisade é o que dá cor à vida. Todos comermos o mesmo, aqui, nos EUA ou em Singapura; todos vestirmos Zara, H&M ou Chanel, YSL ou Gucci; todos conhecermos os mesmo filmes produzidos em Hollywwod; ouvirmos Rhianna, Lady Gaga ou Jennifer Lopez; termos VW, Audi ou Renault; e por aí, por aí, por aí... torna o ser humano mais pobre.
O mundo está a tornar-se monocromático nas suas várias valências. Somos todos iguais. E depois, por termos uma natureza amedrontada perante a vida, olhamos para os outros com a perspetiva de "A galinha da vizinha é melhor que a minha" e queremos ser mais iguais ainda. O outro já tem um iPhone5 - ai que dentro de pouco tempo já vem aí o S - ganha mais, tem novo carro, olha emigrou e está afinal muita bem, and so on... E este estado de espírito leva-nos, cada vez mais, a querermo-nos parecer com os outros. Porque todos procuramos a simbiose social, a aceitação, fazer parte do grupo. É que sair da manada leva à descriminação, em certas espécies morre-se. É coisa que está cá nos nossos genes.
Curioso, não é? Não bastava já os itens descriminatórios tradicionais (raça, classe social...), agora também se é descriminado por estar fora da globalização.
Todos temos, tivemos ou somos chefes. E ser um bom chefe tem muito que se lhe diga. A meu ver deve ser líder, mas agregador. Deve ser justo e imparcial, não pendendo para os seus preferidos. E, sobretudo, deve ser objetivo e não meter o que lhe vai na alma, sentimentos e personalidades mais ou menos corrosivas, depressivas ou depreciativas, ao barulho. Ou seja, nem todos dão para chefes. Executaram muito bem as suas tarefas, mas a alguns falta-lhes todas as outras competências.
E falo disto porque - como em muuuuuuuuitas empresas em Portugal - onde trabalho há chefes a mais. E depois é giro observar pessoas em competições absurdas para fazer vingar a sua posição. "O pião é meu"(mesmo que não vá brincar com ele). A bem do projeto? Não, a bem do seu ego.
Mas ser chefe não é fácil, também o posso dizer. Sabemos que mais tarde ou mais cedo, aqui ou ali, alguém nos aponta o dedo, mesmo que a nossa intenção seja a melhor do mundo para se conseguir levar projetos e pessoas no bom caminho. Os de baixo apontam o dedo, os de cima querem resultados. E este chefe intermédio - que fica entre o chefe de cima e os súbditos de baixo - qual mortadela da sandes, tendencialmente, é comido em primeiro lugar.
Já vos aconteceu estarem a conversar e, simultaneamente, uma outra consciência vossa observa a conversa e tira as suas conclusões? A mim várias vezes. Hoje estava numa conversa com a instrutora de ginásio sobre o tema "pessoas que trabalham com gosto e outras que fazem o razoável para receberem ao fim do mês". Não importa aqui as opiniões verbalizadas. Mas dei por mim a ter uma constatação paralela sobre a comunicação entre dois pares: realmente do que queremos comunicar só passa uma pequena parte, mas pequena mesmo. Não passa a nossa experiência, as nossa maneira de ver o mundo, os nossos conceitos e preconceitos. E concluis isto quando a outra pessoa diz concordar contigo e depois atrela à conversa uma linha de raciocínio que nada tem a ver com o que estavas a querer transmitir. Ok, ela não entendeu o que eu quis dizer. Fui que que me expliquei mal? Ou as conversas são mesmo surdas e as pessoas ouvem o que temos a dizer, mas numa outra dimensão, a delas, com a sua maneira de ver o mundo, os seus conceitos e preconceitos? E é isto, andamos todos aqui a tentar comunicar mas só nós é que realmente nos ouvimos como gostaríamos que os outros nos ouvissem.